EUA E A NOVA FASE IMPERIALISTA
O PERIGO NORTE-AMERICANO E A ESTRATÉGIA DO BRASIL NA AMÉRICA LATINA. Quando o imperialismo abandona até mesmo o verniz jurídico, reafirma-se a lógica de sempre: quem não organiza seu projeto histórico com povo trabalhador acaba sendo organizado por interesses alheios.
A nova fase do imperialismo deixa evidente que a soberania dos países periféricos é sempre condicional. A recente ação norte-americana na América Latina não é exceção, mas expressão de um sistema que substitui o direito internacional pela força sempre que os interesses do capital hegemônico são ameaçados.
Para o Brasil, esse cenário revela fragilidades históricas que se aprofundaram nos últimos anos, sobretudo diante de um Congresso Nacional que tem operado mais como mediador de interesses hegemônicos e externos do que como defensor de um projeto soberano e de independência dos trabalhadores.
A vulnerabilidade brasileira não se explica apenas pela pressão externa, mas também pela incapacidade das elites políticas em construir uma estratégia nacional consistente. A reprimarização da economia, a dependência tecnológica e o enfraquecimento da integração latino-americana expõem o país a um jogo geopolítico no qual a neutralidade é uma ilusão perigosa.
Nesse contexto, a verdadeira força estratégica do Brasil não reside nas alianças subordinadas nem nas decisões do alto escalão político, mas nos trabalhadores e trabalhadoras. São eles que produzem a riqueza, sustentam o país e podem romper com a lógica de dependência ao se organizarem politicamente. Sem organização popular, o Brasil permanece vulnerável; com ela, torna-se possível enfrentar o imperialismo, reconstruir a soberania e disputar um projeto histórico próprio para trabalhador e trabalhadora politizada em alto nível.