PARNAMIRIM: GOVERNADA POR UMA MULHER NEGRA OU POR KELPS LIMA?
O QUE SIGNIFICA O GOVERNO DE UMA MULHER NEGRA? Cresce a sensação de que, por trás da figura da primeira mulher negra eleita, ainda são homens - branco e tradicionais e marqueteiros - que ditam os rumos do governo.
Parnamirim vive um momento inédito em sua história política: pela primeira vez, uma mulher negra foi eleita prefeita. Um marco simbólico e potente diante de décadas de governos conduzidos exclusivamente por homens — com trajetórias, interesses e prioridades moldadas por estruturas patriarcais tradicionais, muitas vezes distantes das realidades da população periférica, das mulheres e do povo negro.
Mas o que significaria, de fato, a cidade ser governada por uma mulher negra?
Esperava-se que esse momento rompesse com as lógicas tradicionais da política local. Que houvesse escuta ampliada, valorização dos territórios esquecidos, combate às desigualdades estruturais e investimento em políticas públicas voltadas às mulheres, à juventude, à cultura popular, à saúde básica de qualidade e à educação prática e transformadora. No entanto, o que se vê é a permanência de estratégias bastante conhecidas em governos anteriores — agora com nova estética.
A presença ostensiva de Kelps Lima, ex-deputado e atual secretário de Planejamento e Finanças, é um sinal revelador. Seu grupo político, ao que tudo indica, comanda áreas-chave da gestão municipal, ocupando diversas secretarias estratégicas. Mais que isso: articula discursos, alianças e campanhas que mantêm viva a polarização ideológica e a lógica do marketing político — onde a imagem da prefeita é usada como símbolo de “renovação”, mas sem produzir os efeitos transformadores que deveria.
Assim, cresce a sensação de que, por trás da figura da primeira mulher negra eleita, ainda são os homens — brancos, tradicionais e marqueteiros — que ditam os rumos do governo. E isso não é apenas simbólico. É estrutural. É um alerta. Nilda manterá o poder nas mãos de outros, mesmo com o mandato em seu nome?
É tempo de fazer valer a potência real de uma mulher negra na liderança de uma cidade como Parnamirim — com coragem, escuta, projetos e rupturas necessárias. Eleger mulheres negras não pode ser o meio de manter homens bolsonaristas fracassados no poder, que foram banidos nas urnas!