A NARRATIVA DO ENDIVIDAMENTO E A AUSTERIDADE EM PARNAMIRIM
DISCURSO DE CRISE É USADO PARA JUSTIFICAR CORTES. A tática é simples e eficaz: pinta-se um quadro de terra arrasada, sem MAIS apontar o responsável e, se repete incessantemente que a prefeitura está quebrada.
O início da nova gestão em Parnamirim está sendo marcado por uma narrativa já conhecida em cidades que sofreram com a hegemonia neoliberal: a do endividamento alarmante como justificativa para a paralisia dos investimentos públicos. Essa tática, que vem sendo sustentada por Kelps Lima, atual secretário de governo da cidade, é uma velha conhecida daqueles que acompanham de perto os movimentos políticos de figuras alinhadas ao bolsonarismo, como o senador Rogério Marinho — amigo pessoal de Kelps.
Kelps, que se apresenta como gestor técnico, na verdade tem atuado politicamente para manter vivo o projeto do grupo que perdeu as eleições, mas tenta se manter no controle por dentro do próprio governo. E o faz explorando a vulnerabilidade inicial da prefeita Nilda ao assumir a máquina pública, usando uma retórica de "austeridade fiscal" para manter o status quo, freando ações transformadoras que a população mais pobre esperava com urgência.
A tática é simples e eficaz: pinta-se um quadro de terra arrasada, sem mais apontar o responsável e, se repete incessantemente que a prefeitura está quebrada. Mas o que os números mostram é bem diferente. A comparação com municípios como Mossoró, São Gonçalo e até mesmo Natal demonstra que encerrar o ano fiscal com dívidas não é, por si só, um sinal de desgoverno. Exceto a gestão Taveira, em Parnamirim, o qual orçamento evaporou e a cidade ficou em umas das piores situações da sua história, sem coerência em gastos e realizações nas áreas fundamentais.
Na verdade, é comum — e aceitável — que parte das gestões públicas municipais apresentem restos a pagar ou obrigações a cumprir. O que se deve observar é a capacidade de investimento, os compromissos assumidos e a saúde das finanças a médio prazo.
Em vez de utilizar esses dados para reorganizar as prioridades do município, o discurso de crise é usado para justificar cortes em áreas fundamentais como saúde, assistência social, cultura e educação.
Esse é apenas o primeiro texto de uma série de análises que o Político Social vai publicar sobre como a narrativa do endividamento, assim como, as consequências está sendo construída em Parnamirim, a serviço de um projeto político que tenta manter o velho poder em ação, mesmo tendo sido derrotado nas urnas. Vamos observar como essa narrativa pode comprometer o mandato de Nilda, e como cabe à prefeita, se de fato quiser romper com o passado, reagir politicamente, assumir o comando do seu governo e propor outra forma de gestão — socialmente comprometida e progressista.