Análise de Conjuntura

NARRATIVA DO ENDIVIDAMENTO E A AUSTERIDADE EM PARNAMIRIM - Parte 3

Por Ed Sousa | Publicado em 18/10/2025 às 18:00
O MUNICÍPIO ACUMULA ATRASOS INJUSTIFICÁVEIS NAS CONTRATAÇÕES ESSENCIAIS. Quando foi eleita, Nilda prometeu transformar Parnamirim com ações que aproximassem o governo da população e valorizassem os serviços públicos.
Quando foi eleita, Nilda prometeu transformar Parnamirim com ações que aproximassem o governo da população e valorizassem os serviços públicos. Seu Plano de Governo assumiu compromissos claros: fortalecer programas de estágio (pág. 5), ampliar a contratação de profissionais na educação e na assistência social (pág. 12), descentralizar recursos para as escolas (pág. 15) e garantir reajustes salariais e direitos trabalhistas dos servidores (pág. 14). Na prática, o que vemos é o contrário. O município acumula atrasos injustificáveis na contratação de estagiários, com processos que ficam meses parados. A ausência desses profissionais impacta diretamente salas de aula e setores de apoio, atingindo principalmente crianças e adolescentes com necessidades especiais. Professores contratados de forma seletiva também não são convocados para suprir a demanda, e há dez anos não se realiza concurso público para a educação, o que deixa a rede sobrecarregada e precarizada. As escolas passam por reformas lentas e graduais, muitas vezes realizadas durante o ano letivo e sem atender às necessidades reais. No campo dos direitos salariais, a situação não é diferente: o piso do magistério recebeu apenas o reajuste de 2025, ignorando o passivo herdado da gestão anterior. Já os servidores da assistência social acumularam perdas salariais históricas. O reajuste sancionado neste ano foi tardio e inevitável, reflexo de anos de descaso, sobretudo da gestão anterior, que negligenciou a valorização de quem está na linha de frente do cuidado social. Esses problemas não são apenas administrativos: são fruto de uma escolha política. Nilda, prefeita e primeira mulher negra eleita em Parnamirim, divide o comando com Kelps Lima, secretário de Planejamento e Finanças, ex-deputado e figura central no controle de secretarias estratégicas. Kelps atua com uma lógica de austeridade fiscal extrema, tratando a prefeitura como se fosse uma empresa que precisa cortar custos e “acumular caixa”, em vez de cumprir sua função social. O contraste é evidente: as promessas de fortalecimento, valorização e expansão dos serviços públicos foram substituídas por uma gestão travada, em que o discurso de “responsabilidade fiscal” serve de justificativa para não investir em áreas essenciais. Enquanto isso, o projeto que elegeu Nilda perde força. E o mais preocupante: essa austeridade parece menos uma medida de equilíbrio financeiro e mais um instrumento de controle político, perpetuando práticas herdadas do governo anterior. Seguiremos a série trazendo, na Parte 4, novas comparações entre promessas e realidade, e analisando como a priorização de empresas terceirizadas vem se tornando um eixo central da política local.