A CORRUPÇÃO E PARNAMIRIM - DO SISTEMA À POLÍTICA LOCAL
DO SISTEMA À POLÍTICA LOCAL. Discutir corrupção não é apenas apontar culpados. É discutir a estrutura que produz, as relações de poder que sustentam e as consciêcias que a toleram.
A corrupção é um fenômeno antigo e estrutural. Ela não nasce apenas do erro individual, da ganância ou da falta de caráter de quem governa. Ela nasce do próprio sistema.
Filosoficamente, a corrupção é a negação do trabalho produtivo. Isso significa que ela desvia a riqueza social do seu destino coletivo, interrompendo o ciclo de valor que o trabalho deveria produzir no social. Em vez de gerar desenvolvimento, ela sustenta privilégios. Em vez de fortalecer o público, ela alimenta o privado.
A corrupção é o modo pelo qual o sistema se mantém vivo, mesmo sendo injusto. É o mecanismo que permite pagar a conta das alianças empresariais e partidárias que o jogo político exige. Por isso, ainda que sem amparo legal, a corrupção é funcional ao sistema - sem ela, seria impossível sustentar o custo das promessas, dos acordos e das campanhas.
A recente movimentação da vice-prefeita Kátia Pires e de sua filha Carol Pires, ao tratar publicamente de suposta corrupção na gestão Nilda, parece menos um ato de moralidade e mais um gesto de oportunismo político. A denúncia, nesse caso, funcionaria como instrumento de reposicionamento político - um ensaio para futuros cenários eleitorais em 2026 e 2028.
Quem hoje se apresenta como “voz contra a corrupção” muitas vezes foi parte do mesmo arranjo que poderia torná-la possível. Vejam a gestão anterior. Porque a corrupção, nesse contexto, não é um desvio acidental, mas pode ser um componente orgânico do sistema político local. Com consequência inevitável de um modelo que vive da troca, da barganha, do favor e do apadrinhamento que, quando não atendidas, gera uma contradição.
Por isso, discutir corrupção não é apenas apontar culpados. É discutir a estrutura que a produz, as relações de poder que a sustentam e as consciências que a toleram.
Enquanto a política local seguir dependente das mesmas lógicas - de cargos trocados por votos, contratos por apoios e alianças por silêncio - a corrupção continuará sendo a regra invisível (improvável) que move o visível.
A verdadeira transformação não virá de quem usa o discurso da ética para se promover, mas de quem compreende que a corrupção é a negação do trabalho produtivo, a negação da riqueza comum e do esforço coletivo que deveria servir à cidade. Enquanto o povo trabalha, a corrupção trabalha contra ele. E a cada novo escândalo, o sistema apenas muda de rosto mas não de essência.